A razão pela qual os bancos estão a fechar tantas agências em Portugal

24 de Março, 2026

Nos últimos anos, a realidade bancária em Portugal tem mudado de forma acentuada. O fechamento de agências bancárias é uma das consequências mais visíveis dessa transformação, impactando profundamente a vida de muitos cidadãos. As razões para essa evolução são variadas, desde a digitalização dos serviços até a busca por redução de custos por parte dos bancos. A tendência é clara: cada vez mais pessoas estão a recorrer a soluções online, o que leva os bancos a repensarem a sua presença física no território.

A situação é alarmante, especialmente nas zonas menos populosas do interior do país. Com o encerramento de ágencias, muitos clientes são obrigados a percorrer longas distâncias para aceder a serviços básicos. Por exemplo, um cliente de Ponte de Sor pode ter que viajar 70 quilómetros só para visitar a sucursal mais próxima. Este fenômeno é preocupante, pois não afeta apenas a comodidade, mas coloca em questão o acesso à banca para diversos grupos, especialmente os mais vulneráveis.

O impacto da digitalização nos serviços bancários

A digitalização tem sido um motor da mudança na banca. Cada vez mais, os consumidores estão a optar por canais online e serviços de homebanking, resultando numa diminuição da procura pelos assistentes nas agências. Essa mudança de hábitos fez com que os bancos percebessem que as agências físicas eram menos rentáveis e começaram a fechar balcões.

Nos últimos dez anos, os cinco principais bancos em Portugal — Banco BPI, Caixa Geral de Depósitos, Millennium bcp, Novobanco e Santander — fecharam cerca de 1.700 agências, o que representa uma queda significativa no acesso aos serviços bancários. Analistas prevêm que esta tendência não irá desacelerar tão cedo, o que significa que mais encerramentos poderão ocorrer.

A acessibilidade em questão

A diminuição das agências não afeta todos os cidadãos de maneira igual. Em localidades como Portalegre e Bragança, a escassez é notória, fazendo com que as pessoas se desloquem frequentemente para distâncias significativas. Esses cidadãos enfrentam não apenas a dificuldade de acesso, mas também custos adicionais. Ao utilizar serviços ao balcão, as taxas podem chegar a valores exorbitantes — um levantamento pode custar cerca de 7 euros, enquanto uma transferência interbancária pode chegar a custar 7,35 euros.

Os desafios são amplificados para os idosos que, em muitos casos, não têm facilidade em utilizar plataformas digitais. A sua dependência de serviços presenciais torna-se uma questão crítica à medida que as agências continuam a fechar.

A pressão por redução de custos

Os bancos também estão sob uma pressão constante para reduzir custos. Com a diminuição das comissões geradas nas agências, o encerramento de balcões torna-se uma solução prática para os bancos que buscam aumentar a eficiência e preservar seus lucros. Entre 2014 e 2024, a força de trabalho no setor bancário diminuiu cerca de 20%, refletindo um esforço contínuo para alinhar as operações financeiras com as novas realidades do mercado.

Essa mudança tem repercussões significativas. Menos funcionários resultam em tempos de espera mais longos e serviços presenciais mais limitados, colocando uma pressão adicional sobre os próprios clientes. As limitações de horário de atendimento contribuem ainda mais para a dificuldade de acesso a serviços bancários essenciais.

Caminhos a seguir para a inclusão financeira

Diante deste cenário, é imperativo que as instituições financeiras considerem a inclusão financeira. Propostas sugerem que, em regiões com população reduzida, deve-se garantir algum tipo de serviço bancário, mesmo que em formato móvel. Além disso, um apelo à defesa dos direitos dos clientes mais vulneráveis se faz urgente, para que não sejam deixados à margem da evolução tecnológica.

As mudanças de hábitos são inevitáveis, mas é fundamental que todos os cidadãos, independentemente da sua localização ou capacidade tecnológica, possam ter acesso aos serviços que necessitam. Apenas assim será possível garantir que a evolução da banca em Portugal ocorra de forma inclusiva e equitativa.